sexta-feira, 11 de junho de 2010

pensar demais enlouquece. e revela

Todo o fantasma, toda a criatura de arte, para existir, deve ter o seu drama, ou seja, um drama do qual seja personagem e pelo qual é personagem. O drama é a razão de ser do personagem; é a sua função vital: necessária para a sua existência.

Luigi Pirandello


He's not gonna call. This is an fact that I should be learned since yesterday. But.. life is not perfect and I'll catch this bullshits that haunt my mind.

É fácil tirar o peso dos ombros e pensar que a culpa não é só nossa. Evidente que eu preciso de terapia, mas isso não significa que esta noite, assim, seja reflexo dos meus complexos. Se o Ghost fosse ao menos sincero, como deveriam ser todas as pessoas na minha utopia socialista, eu não ficaria tão frustrada. Sério, pra que prometer ligar e fazer alguém feliz com tanta antecedência? Qual é o medo em assumir as incertezas e limitações que todo mundo tem? Nos deparamos com a verdade e parece que não a aceitamos direito. Várias indiretas me enojam e eu suplico por respostas diretas. Depois, se eu falo com franqueza, sou a neurótica. Falar as coisas como elas são pra quem merece ouvir, hoje, é sinônimo de loucura. Acho que depois de tantas discussões sobre o cuidado na saúde mental em tornar o louco um cidadão com suas razões e princípios, apenas diferenciados, foi levada ralo abaixo.

Sozinha, e não é novidade. Antes só do que mal acompanhada? Não pensava assim no início da semana, quando esperava ansiosa por uma única ligação. Hoje, esmiuçando o que me é dado, realmente vale a pena repensar e querer o melhor.

Todas nós nos esforçamos e tentamos agradar, somos boas acompanhantes e fazemos os deveres de casa: estamos sempre depiladas, cheirosas, maquiadas, com unhas feitas e bom hálito. Somos educadas, gentis, discretas e devassas quando devemos. Qual é o problema? Não merecemos, então, uma boa companhia também, no mínimo?

Quando as relações deixaram de ser pontos de segurança e confiança e tornaram-se secas e vazias?

Quando se refere à duas pessoas e uma relação, muito cuidado deve ser tomado. A gente não sabe até que ponto vai conhecer alguém e, de repente, se deparar com um monstro disfarçado de conhecido. O Ghost se empolgou, disse o que disse pra agradar, conquistar e fazer uma menininha dormir pensando nele. Belo Ego, inventa frases, faz charminho e desdenha.

Francamente, até o Robô merecia mais do que isso!

Peço, suplicante, ao destino: se for pra enviar trouxas apenas, pode cancelar a conta.



quarta-feira, 9 de junho de 2010

the reason yelled

Perfeitos para uma refeição matinal, os cookies com glacê de Mercedes a fitaram por uma eternidade enquanto a garçonete corria pela cafeteria com uma xícara de chá borbulhante. Pediu dois cookies e quando os viu em seu prato, sentiu um berro estremecedor saindo de sua barriga. Outro de sua consciência.
"Moça, por favor, pode levar um? Não preciso comer os dois.."
"Desculpe, mas não posso mais colocá-lo na tigela, agora já está no seu prato, moça."
"Mas eu nem encostei neles. Estou de dieta."
"Senhora, me desculpe, são as normas.. poderia ter pensado na dieta antes de me pedir os cookies."

Uma vez lançada, a chance não volta? Da mesma forma com que Mercedes se comprometeu com os cookies e precisou comê-los, Theodoro sofria com seus múltiplos relacionamentos fracassados. Em algum momento, ele precisaria analisar o que andava acontecendo: sempre atraía os mesmos tipos de mulheres. E sempre era dispensado com as mesmas desculpas. Seria ele o problema? Existiria uma força cósmica capaz de dispensar o pleno uso da razão para escolhermos alguém? E se essa força existe e nos atrai sempre para os mesmos "tipos", porque é tão maldosa?

Theodoro sentou calmamente na mesa e a olhou com piedade: ela não sabia da missa a metade.
Ela refletiu durante o café da manhã.
Ele refletiu durante o passeio de ônibus.
Mercedes e Theodoro, em locais tão distantes na cidade, aproximavam-se no quesito número um para consciência pesada: a culpa.
Alice, namorada de Theodoro, sabia que mais dia menos dia a relação cairia ladeira abaixo, levando consigo as lembranças melindrosas do primeiro mês de namoro, com sorte. Se houve ilusão durante sete meses, Alice sabia que partia dela e que Theodoro sofria, mas gostava de sofrer. Na sua visão, ele era atraído por mulheres poderosas demais, que o obrigassem a ser submisso. Eu ouço ecoando da boca de qualquer leigo: ele é masoquista!
Mas não, não, não! Se ele é masoquista, então eu sou também! Então todo o meu grupo de amigas é também! Então todas as pessoas que eu conheço e posso supor que o mundo inteiro gosta, em alguma medida, de sofrer.
Parece uma suspensão proposital do hemisfério racional do cérebro, mantendo-nos dementes o bastante para nos atirarmos às cegas à uma história de amor que nos leva pra cima com violência e pra baixo com exatidão. Se todos somos neuróticos, como supunha Freud, então podemos admitir que em algum nível também portamos um masoquismo que se revela nas formas mais improváveis e nos relacionamentos mais impertinentes possíveis. Estou errada?

O que atrai na escuridão pode ser levado a mil e uma interpretações, mas com otimismo insisto na tecla de que pode ser uma forma de mostrar pra si mesmo o quanto podemos transformar a escuridão em algo claro, visível, controlado. Assim tornado, o objeto perde o interesse e é substituído por outro tão ou mais obscuro que o anterior. Assim foi e ainda é com Theodoro, que perde a sua essência misteriosa a medida que conquista as mulheres: torna-se tão palpável, que escapa. Ou melhor, é o escape.
E nesse vai e vem de histórias permeando a minha mente, traço o paralelo do comprometimento de Mercedes com a sua própria sentença, concomitante às relações fluidas de Theodoro, que busca o compromisso e a cada vez o vê mais longe.

Se saber sobre o assunto ajuda a combatê-lo? Não sei, mas dificilmente acredito que analistas estejam isentos de questionamentos. Assumo o contrário: fuçamos e esmiuçamos e espatifamos e metemos o bedelho em tantas patologias comuns do cotidiano que tornamo-nos não além de meros viciados em problemas. Nossos, deles.

sábado, 29 de maio de 2010

caos de vida no chão... why not in the air?

So, I'm waiting for the red umbrella.. and what do I do until this happen?

go read, sweetheart; go learn, go live your life... all this it's just a dream.

So, until he doesn't arrive, enjoy!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Poemeto Irônico

O que tu chamas tua paixão,
É tão somente curiosidade.
E os teus desejos ferventes vão
Batendo as asas na irrealidade...

Curiosidade sentimental
Do seu aroma, da sua pele.
Sonhas um ventre de alvura tal,
Que escuro o linho fique ao pé dele.

Dentre os perfumes sutis que vêm
Das suas charpas, dos seus vestidos,
Isolar tentas o odor que tem
A trama rara dos seus tecidos.

Encanto a encanto, toda a prevês.
Afagos longos, carinhos sábios,
Carícias lentas, de uma maciez
Que se diriam feitas por lábios...

Tu te perguntas, curioso, quais
Serão seus gestos, balbuciamento,
Quando descerdes nas espirais
Deslumbradoras do esquecimento...

E acima disso, buscas saber
Os seus instintos, suas tendências...
Espiar-lhe na alma por conhecer
O que há sincero nas aparências.

E os teus desejos ferventes vão
Batendo as asas na irrealidade...
O que tu chamas tua paixão
É tão-somente curiosidade. (Manuel Bandeira)


seria eu desprovida e assim portadora de um "amor sensual comum", como diz o amigo Sig?

quarta-feira, 31 de março de 2010

metamorfose sem cerimônias

' Assim, com o nascimento, damos o primeiro passo de um narcisismo absolutamente auto-suficiente para a percepção de um mundo externo cambiante e para os primórdios da descoberta dos objetos. A isso está associado o fato de não podermos suportar o novo estado de coisas por muito tempo, de periodicamente dele revertermos, no sono, à nossa anterior condição de ausência de estimulação e fuga dos objetos. É verdade, contudo, que nisto estamos seguindo uma sugestão do mundo externo que, através da mudança periódica do dia e da noite, afasta temporariamente a maior parte dos estímulos que nos influenciam.' (Freud, S. - 1921)

pede pra entrar e já sabe que a casa é dela. chamem de borderline ou bipolar, mas o bom mesmo é poder mudar e sentir-se livre para isto.

sexta-feira, 26 de março de 2010

My black eye casts no shadow

Pra quem tinha passado um tempo cuidando de um celular como se fosse um filho, Izis está recuperada, mas ainda mostra o trauma inicial sempre que pode. Também pudera, ninguém é perfeito e ela sabe que isso é um alívio.
Andava de um lado para o outro com o aparelho nas mãos. Banheiro, cozinha, cama, sala, faculdade, academia, mercado e aonde mais pudesse monitorar os minutos em que não recebia ligações. O curtido dessa história eu antecipo: ela se frustrava tanto, mas tanto, que se acostumou, gostou e passou a pedir pra se frustrar mais. Foi tola, caiu e achou que tinha se safado de aprender mais sobre as limitações morais dos seres humanos.
Quando achou que pudesse se distrair, comeu pelas beiradas e acabou percebendo que se engana o tempo inteiro. Izis insiste que não quer tantos relacionamentos sérios, mas fica constrangida quando não ligam no dia seguinte. Não quer ser vista como gauche*, mas quer que alguém a observe. Será este o motivo de sonhar com um perseguidor que a amedronta? Quando o inconsciente grita é melhor deixar a coisa acontecer antes que ele se irrite e volte mais violento.
Ela sentiu então que Hugo não era sua melhor opção. Até pensou em não se envolver demais, e isso acabou acontecendo MESMO! Ele quis curtir e esta era a premissa inicial de Izis, mas, como disse, não quer ser apenas mais uma.

Ahá.. ela entende porque Jerônimo então lhe mandou uma carta de amor pedindo que não fosse só mais um em sua vida. Ele se apaixonou e ela só assistiu o espetáculo. Fria, mas viva.

Fico confusa se realmente os atos de Izis podem não ser levados à sério. Caiu na bebedeira e sabe-se lá se vão lembrar do que possa ter feito.
Imaginou também, como de praxe, que alguém próximo pode estar se aproximando mais, mas isto ela deve filtrar; afinal de contas, comida não pode ter tempero de menos, nem demais.
Percebam, Izis pode entorpecer-se o quanto quiser, mas continua sóbria moralmente, e livre no amplo sentido carnal. Esta é sua condenação: nunca se livrará de si própria, de seus pensamentos e receios.
Seja com quem for, Izis precisaria mesmo é de uma terapia de choque, ou do colo dos pais.

sábado, 13 de março de 2010

elixir da auto enganação

I'll be cold